sexta-feira, 31 de março de 2017

Pregando o Evangelho e combatendo o anátema


Paulo, o apóstolo, em sua carta aos irmãos da Galácia, Carta esta, popularmente conhecida, entre nós, como carta de Paulo aos Gálatas ou livro de Gálatas, em suas exortações traz o fundamento principal do Evangelho de Jesus Cristo. Qual seria este fundamento? Vamos ao estudo desta carta e assim podermos responder com clareza a esta pergunta.

De certo aqueles irmãos havia recebido o Evangelho da Graça de Deus, provavelmente, pela boca do próprio Paulo, como ele mesmo afirma:

“Mas faço-vos saber, irmãos, que O EVANGELHO QUE POR MIM FOI ANUNCIADO…”.


Todavia, Paulo não foi o único que passou por aquela região pregando o evangelho.
Ao fazermos a leitura do texto fica, visivelmente, comprovado que houve outros pregadores de passagem por aquele lugar anunciado algo que eles diziam ser o evangelho.
Bem provável é que tais pregadores era da influência judaizante (Judeus que se dizia convertido a Cristo, mas declaravam que a salvação se dava por meio da guarda da lei. [Leia At 15:1,2,5]). Nota-se que mensagem de tais pregadores trouxe inquietação aos irmãos daquela localidade e o conteúdo de suas pregações transtornava o Evangelho de Cristo (v 7).

Foi quando o Espírito Santo, por meio de Paulo, exortou aqueles irmãos afim de que os mesmo não seguissem heresias que comprometeriam o testemunho do evangelho. A exortação feita àqueles irmãos manifesta a doutrina da Graça de Deus, e, mais, o trecho da carta aos Galátas mostra, com clareza, qual evangelho deve ser abraçado e qual deve ser rejeitado.  

Observe que, no versículo seis do capitulo um, o apóstolo Paulo acusa aqueles irmão de estarem passando à outro evangelho; frisando, anteriormente, de que eles foram chamados à Graça de Cristo. E em seguida (v8,9) ele adverte:

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” e continua: “Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” .

Mas, que outro evangelho era este? Qual evangelho foi combatido por Paulo? Que evangelho foi este que causou inquietação naquele povo? Qual evangelho que fora anunciado e deveria ser considerado “anátema” (maldito)?

Para termos resposta a estas perguntas teremos que analisa o conteúdo do Evangelho pregado por Paulo.

"Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo" (v 11,12)

Da leitura dos versículos 11 e 12 Destacaremos, aqui, duas características fundamentais para compreensão do evangelho anunciado pelo apóstolo:

1- Não é segundo os homens.  “o evangelho por mim anunciado não é segundo os homens”
2- Foi lhe dado pele próprio senhor. “Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas, pela revelação de Jesus Cristo”
Diante de tais evidencias podemos afirmar, inequivocamente, que o evangelho pregado por Paulo não foi fruto de sua mente e conceitos, mas, veio do próprio Cristo. Logo, é correta a afirmação: O EVANGELHO PREGADO POR PAULO É O EVANGELHO DE CRISTO.

Ora se qualquer outro evangelho que seja diferente do anunciado pelo apostolo Paulo deve ser considerado “anátema” trata-se de um falso evangelho e deveria e deve ser rejeitado. Já  o evangelho verdadeiro é aquele pregado por Paulo, e, portanto, deve ser abraçado. Concordas?

A esta altura o caro leitor pode estar perguntando e o Evangelho pregado por Pedro e os demais apóstolos de Jesus Cristo, deve ser considerado “anátema” pelo fato de não ter sido pregado, diretamente, por Paulo? Bem, assim respondo: o evangelho pregado por Pedro e demais apóstolos não foi diferente do evangelho pregado por Paulo. Note que no verso 9 Paulo usa a frase: “como já vo-lo dissemos” indicando aí que não apenas ele teria advertido os irmãos, quanto a falsos evangelhos, mas, que outros também havia feito o mesmo. Ademais leia o capitulo 2: 1-10 e verás que quando confrontada a mensagem do evangelho pregado por Paulo com a mensagem dos demais apóstolos não se constatou um outro evangelho. Veja:

(“Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão [.....], deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;”)  afirmou Paulo, nos v8 e 9 C 2.

Certo desta verdade, continuamos o análise do conteúdo do evangelho pregado por Paulo e em que consistia seu combate ao falso evangelho.
Capitulo 1 versículo 1 já temos aí uma verdade trazida a tona – DEUS PAI RESSUSCITOU JESUS CRISTO DENTRE OS MORTOS-  versículos 3 e 4 do mesmo capitulo continua a trazer mais revelação da verdade do evangelho, a saber: JESUS CRISTO SE ENTREGOU PELOS NOSSO PECADOS.

Estas afirmações estão coerente e segundo as palavras de Jesus quando, ainda em carne e entre os homens, afirmou:

“O Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e ata-lo-ão; e, morto ele, ressuscitará ao terceiro dia.” 
“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (Mc 9 : 31; Jo 10: 11).

Saber, como informação histórica, que Jesus Cristo morreu e ressuscitou não é a mesma coisa que CRÊ nele como salvador; não é a mesma coisa que depositar total confiança na sua obra expiatória, certos de que a questão do pecado é algo resolvido, a salvação é algo conquistado e não a conquistar. Conquistado não por nós, mas, pelo próprio Cristo.
A informação histórica sobre o Cristo é algo do conhecimento de todos. Daí concluir que os judaizantes em sua maioria, provavelmente, não negavam isto, assim, como o cristianismo, como religião, também, não nega. Logo, por que a repreensão de Paulo aos Gálatas? Isto é o que veremos a seguir, com a continuidade do análise de conteúdo da mensagem do evangelho, pregado por Paulo.  
Voltamos a carta.

“Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?” (3:2,3)
“Recebeste o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé”?

Obras da lei x pregação da fé. Aqui estar a discrepância entre o evangelho de Jesus Cristo e o falso evangelho, (causa da inquietação entre os Gálatas) bem, como expõe o pivô das discursões que se deu, não só na época dos apostolo, como também em toda história da igreja, durante este mais de dois mil anos.

Vamos a leitura do versículo 16 do segundo capitulo da carta aos Gálatas onde vamos constatar que basta este verso para percebemos o que Paulo pregava como verdade do evangelho e o que combatia por ser contrário a doutrina da salvação em Cristo.
Para facilitar o entendimento colocamos em maiúsculo o que Paulo pregava e em minúsculo o que Paulo combatia, para em seguida destacar pregação e refutação. Vejamos:

 "Sabendo que O HOMEM não É JUSTIFICADO pelas obras da lei, mas PELA FÉ EM JESUS CRISTO, TEMOS TAMBÉM CRIDO EM JESUS CRISTO, PARA SERMOS JUSTIFICADOS PELA FÉ EM CRISTO, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada." 

Pregação: “o homem é justificado pela fé em Jesus Cristo”.
Refutação: “sabendo que o homem não é justiçado pelas obras da lei...; porquanto Sabemos que pelas obras da lei nenhuma carne será justificada”   

Acrescentaremos aqui afirmações concernente a pregação do Evangelho de Jesus feita não só por Paulo, mas também por outros apóstolos, a irmãos de outras localidades:

"Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que CRISTO MORREU POR NOSSOS PECADOS, segundo as Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" I co 15:2,3)

"O QUAL POR NOSSOS PECADOS FOI ENTREGUE, E RESSUSCITOU PARA NOSSA JUSTIFICAÇÃO."  (Rm 4 : 25)

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:8,9)

"E ELE É A PROPICIAÇÃO PELOS NOSSOS PECADOS, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo."  (I João 2 : 2)

"LEVANDO ELE MESMO EM SEU CORPO OS NOSSOS PECADOS SOBRE O MADEIRO, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados."  (I Pedro 2 : 24)

Detalhes quanto ao EVANGELHO:

Meio para justificação: “....pela FÉ EM JESUS CRISTO
Para sermos justificado temos que efetuar algum tipo de pagamento?
Resposta: "Sendo JUSTIFICADOS GRATUITAMENTE PELA SUA GRAÇA, pela redenção que há em Cristo Jesus" (Rm 3:24)
Fé e Graça. Qual a origem destes atributos? “....isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef. 2:8)

Este foi o Evangelho anunciado por Paulo, Pedro, João e todos os demais apóstolo do Senhor. Este é o Evangelho de Jesus, o evangelho da nossa salvação.

Em síntese, e, com base na mensagem do evangelho não só pregado por Paulo, mas, também pelos demais apóstolo do Senhor, podemos afirmar que as obras e descartada como requisito pra salvação da alma porque SOMOS SALVO PELA GRAÇA MEDIANTE A FÉ EM JESUS CRISTO. Logo, a salvação não se dá por meio de obediência a lei, pois, como bem afirmou Paulo: "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei,[.....] porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada."  (Gl 2:16).  ESSE É O EVANGELHO A SER ABRAÇADO.

Por conseguinte, QUALQUER PREGAÇÃO QUE ALEGA SER DO EVANGELHO, MAS, QUE, DE ALGUMA FORMA, COLOCA AS OBRAS COMO REQUISITO PARA SE OBTER A VIDA ETERNA, dando assim ao homem o mérito pela sua salvação, não condiz com o evangelho de Jesus Cristo. TAL “EVANGELHO” deve ser combatido, rejeitado e como disse o apóstolo: “SEJA ANÁTEMA”


Paz e graça


Paulo Xavier

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