Paulo, o apóstolo, em
sua carta aos irmãos da Galácia, Carta esta, popularmente conhecida, entre nós,
como carta de Paulo aos Gálatas ou livro de Gálatas, em suas exortações traz o
fundamento principal do Evangelho de Jesus Cristo. Qual seria este fundamento?
Vamos ao estudo desta carta e assim podermos responder com clareza a esta
pergunta.
De certo aqueles irmãos
havia recebido o Evangelho da Graça de Deus, provavelmente, pela boca do
próprio Paulo, como ele mesmo afirma:
“Mas
faço-vos saber, irmãos, que O EVANGELHO QUE POR MIM FOI ANUNCIADO…”.
Todavia, Paulo não foi
o único que passou por aquela região pregando o evangelho.
Ao fazermos a leitura
do texto fica, visivelmente, comprovado que houve outros pregadores de passagem
por aquele lugar anunciado algo que eles diziam ser o evangelho.
Bem provável é que tais
pregadores era da influência judaizante (Judeus que se dizia convertido a
Cristo, mas declaravam que a salvação se dava por meio da guarda da lei. [Leia
At 15:1,2,5]). Nota-se que mensagem de tais pregadores trouxe inquietação aos
irmãos daquela localidade e o conteúdo de suas pregações transtornava o
Evangelho de Cristo (v 7).
Foi quando o Espírito
Santo, por meio de Paulo, exortou aqueles irmãos afim de que os mesmo não
seguissem heresias que comprometeriam o testemunho do evangelho. A exortação feita
àqueles irmãos manifesta a doutrina da Graça de Deus, e, mais, o trecho da
carta aos Galátas mostra, com clareza, qual evangelho deve ser abraçado e qual
deve ser rejeitado.
Observe que, no
versículo seis do capitulo um, o apóstolo Paulo acusa aqueles irmão de estarem
passando à outro evangelho; frisando, anteriormente, de que eles foram chamados
à Graça de Cristo. E em seguida (v8,9) ele adverte:
“Mas,
ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que
já vos tenho anunciado, seja anátema” e continua: “Assim, como já vo-lo
dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro
evangelho além do que já recebestes, seja anátema” .
Mas, que outro
evangelho era este? Qual evangelho foi combatido por Paulo? Que evangelho foi
este que causou inquietação naquele povo? Qual evangelho que fora anunciado e
deveria ser considerado “anátema” (maldito)?
Para termos resposta a
estas perguntas teremos que analisa o conteúdo do Evangelho pregado por Paulo.
"Mas
faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo
os homens. Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação
de Jesus Cristo" (v 11,12)
Da leitura dos
versículos 11 e 12 Destacaremos, aqui, duas características fundamentais para
compreensão do evangelho anunciado pelo apóstolo:
1- Não é segundo os homens. “o
evangelho por mim anunciado não é segundo os homens”
2- Foi lhe
dado pele próprio senhor. “Porque não o
recebi, nem aprendi de homem algum, mas, pela revelação de Jesus Cristo”
Diante
de tais evidencias podemos afirmar, inequivocamente, que o evangelho pregado
por Paulo não foi fruto de sua mente e conceitos, mas, veio do próprio Cristo.
Logo, é correta a afirmação: O EVANGELHO PREGADO POR PAULO É O EVANGELHO DE
CRISTO.
Ora se qualquer outro
evangelho que seja diferente do anunciado pelo apostolo Paulo deve ser
considerado “anátema” trata-se de um falso evangelho e deveria e deve ser
rejeitado. Já o evangelho verdadeiro é
aquele pregado por Paulo, e, portanto, deve ser abraçado. Concordas?
A esta altura o caro
leitor pode estar perguntando e o Evangelho pregado por Pedro e os demais
apóstolos de Jesus Cristo, deve ser considerado “anátema” pelo fato de não ter
sido pregado, diretamente, por Paulo? Bem, assim respondo: o evangelho pregado
por Pedro e demais apóstolos não foi diferente do evangelho pregado por Paulo.
Note que no verso 9 Paulo usa a frase: “como já vo-lo dissemos” indicando aí
que não apenas ele teria advertido os irmãos, quanto a falsos evangelhos, mas,
que outros também havia feito o mesmo. Ademais leia o capitulo 2: 1-10 e verás
que quando confrontada a mensagem do evangelho pregado por Paulo com a mensagem
dos demais apóstolos não se constatou um outro evangelho. Veja:
(“Antes,
pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava
confiado, como a Pedro o da circuncisão [.....], deram-nos as destras, em
comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à
circuncisão;”) afirmou Paulo, nos v8 e 9 C 2.
Certo desta
verdade, continuamos o análise do conteúdo do evangelho pregado por Paulo e em
que consistia seu combate ao falso evangelho.
Capitulo
1 versículo 1 já temos aí uma verdade trazida a tona – DEUS PAI RESSUSCITOU JESUS CRISTO DENTRE OS MORTOS- versículos 3 e 4 do mesmo capitulo continua a
trazer mais revelação da verdade do evangelho, a saber: JESUS CRISTO SE ENTREGOU PELOS NOSSO PECADOS.
Estas afirmações estão
coerente e segundo as palavras de Jesus quando, ainda em carne e entre os
homens, afirmou:
“O
Filho do homem será entregue nas mãos dos homens, e ata-lo-ão; e, morto ele,
ressuscitará ao terceiro dia.”
“Eu
sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (Mc 9 : 31; Jo 10:
11).
Saber,
como informação histórica, que Jesus Cristo morreu e ressuscitou não é a mesma
coisa que CRÊ nele como salvador; não é a mesma coisa que depositar total
confiança na sua obra expiatória, certos de que a questão do pecado é algo
resolvido, a salvação é algo conquistado e não a conquistar. Conquistado não
por nós, mas, pelo próprio Cristo.
A
informação histórica sobre o Cristo é algo do conhecimento de todos. Daí
concluir que os judaizantes em sua maioria, provavelmente, não negavam isto,
assim, como o cristianismo, como religião, também, não nega. Logo, por que a
repreensão de Paulo aos Gálatas? Isto é o que veremos a seguir, com a
continuidade do análise de conteúdo da mensagem do evangelho, pregado por
Paulo.
Voltamos
a carta.
“Só quisera saber isto
de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois
vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?”
(3:2,3)
“Recebeste
o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé”?
Obras
da lei x pregação da fé.
Aqui estar a discrepância entre o evangelho de Jesus Cristo e o falso evangelho,
(causa da inquietação entre os Gálatas) bem, como expõe o pivô das discursões
que se deu, não só na época dos apostolo, como também em toda história da
igreja, durante este mais de dois mil anos.
Vamos a leitura do
versículo 16 do segundo capitulo da carta aos Gálatas onde vamos constatar que
basta este verso para percebemos o que Paulo pregava como verdade do evangelho
e o que combatia por ser contrário a doutrina da salvação em Cristo.
Para facilitar o
entendimento colocamos em maiúsculo o que Paulo pregava e em minúsculo o que
Paulo combatia, para em seguida destacar pregação
e refutação. Vejamos:
"Sabendo que O HOMEM não É JUSTIFICADO
pelas obras da lei, mas PELA FÉ EM JESUS CRISTO, TEMOS TAMBÉM CRIDO EM JESUS
CRISTO, PARA SERMOS JUSTIFICADOS PELA FÉ EM CRISTO, e não pelas obras da lei;
porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada."
Pregação: “o
homem é justificado pela fé em Jesus Cristo”.
Refutação: “sabendo
que o homem não é justiçado pelas obras da lei...; porquanto Sabemos que pelas
obras da lei nenhuma carne será justificada”
Acrescentaremos aqui afirmações
concernente a pregação do Evangelho de Jesus feita não só por Paulo, mas também
por outros apóstolos, a irmãos de outras localidades:
"Porque primeiramente vos
entreguei o que também recebi: que CRISTO MORREU POR NOSSOS PECADOS, segundo as
Escrituras, E que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as
Escrituras" I co 15:2,3)
"O QUAL POR NOSSOS PECADOS FOI
ENTREGUE, E RESSUSCITOU PARA NOSSA JUSTIFICAÇÃO." (Rm 4 : 25)
"Porque
pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não
vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ef 2:8,9)
"E
ELE É A PROPICIAÇÃO PELOS NOSSOS PECADOS, e não somente pelos nossos, mas
também pelos de todo o mundo." (I
João 2 : 2)
"LEVANDO
ELE MESMO EM SEU CORPO OS NOSSOS PECADOS SOBRE O MADEIRO, para que, mortos para
os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes
sarados." (I Pedro 2 : 24)
Detalhes
quanto ao EVANGELHO:
Meio
para justificação: “....pela FÉ EM JESUS CRISTO”
Para sermos justificado
temos que efetuar algum tipo de pagamento?
Resposta: "Sendo JUSTIFICADOS GRATUITAMENTE PELA SUA GRAÇA, pela redenção que há em
Cristo Jesus" (Rm 3:24)
Fé
e Graça. Qual a
origem destes atributos? “....isto não
vem de vós, é dom de Deus” (Ef. 2:8)
Este foi o Evangelho
anunciado por Paulo, Pedro, João e todos os demais apóstolo do Senhor. Este é o
Evangelho de Jesus, o evangelho da nossa salvação.
Em
síntese, e, com base
na mensagem do evangelho não só pregado por Paulo, mas, também pelos demais
apóstolo do Senhor, podemos afirmar que as obras e descartada como requisito
pra salvação da alma porque SOMOS SALVO PELA GRAÇA MEDIANTE A FÉ EM
JESUS CRISTO. Logo, a salvação não se dá por meio de obediência a lei,
pois, como bem afirmou Paulo: "Sabendo
que o homem não é justificado pelas obras da lei,[.....] porquanto pelas obras
da lei nenhuma carne será justificada."
(Gl 2:16). ESSE É O EVANGELHO A SER ABRAÇADO.
Por conseguinte, QUALQUER
PREGAÇÃO QUE ALEGA SER DO EVANGELHO, MAS, QUE, DE ALGUMA FORMA, COLOCA AS OBRAS
COMO REQUISITO PARA SE OBTER A VIDA ETERNA, dando assim ao homem o mérito pela
sua salvação, não condiz com o evangelho de Jesus Cristo. TAL “EVANGELHO” deve
ser combatido, rejeitado e como disse o apóstolo: “SEJA ANÁTEMA”
Paz e graça
Paulo Xavier


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