sexta-feira, 31 de março de 2017

Estes versículos comprovam que o dízimo é uma ordenança para a igreja?


Na mensagem que me enviaste você comentou que discutia com certo rapaz sobre o “dízimo”   na discursão ele afirmava que o dízimo continua sendo um mandamento pra igreja, você discordava, mas, ele contestava tentando lhe convencer de que estava certo. Foi quando você exigiu que ele provasse, tais afirmações, pelas escrituras neotestamentaria (fizeste bem ao exigir respaldo bíblico. E acertou quando exigiu que tais respaldo fosse no novo testamento, pois se tratando da igreja que só veio a existir, de fato, a partir de atos 2 é mesmo no novo testamento, e, especialmente nas cartas apostólica, que encontraremos a doutrina para igreja).   Então, ao exigires concordâncias bíblicas, o rapaz lhe enviou referências do livros de Lc 8: 1-3; I Co 9:4-15; Gt 6:6; Fl 4:14-19 e I Tm 5:17-18;
alegando, ele, que tais referências comprovam a ordenança do dízimo para Igreja. Foi quando você me escreveu enviando as referências querendo saber o que tenho a comentar sobre o assunto.
De antemão já lhe adianto que não vale apenas se envolver em discursão intermináveis com quem resiste a verdade. Nestas circunstâncias sigamos o conselho de Paulo a Tito, quando diz: “Ao homem contencioso, depois de uma e outra admoestação, evita-o”
Todavia, respondendo a você que me parece demostrar apreço pela verdade, vamos ao análise dos textos. Mas, não sem antes ressaltar o seguinte: Alguém que defende as passagens, acima descritas, como comprovação da ordenança do Dízimo para Igreja, só pode ser um mal caratê deturpador da palavra agindo de má fé; ou, no mínimo, alguém equivocado, má influenciado pelos erros da cristandade e atolada na má interpretação das escrituras.  Em ambos os casos tal afirmação não é digna de credibilidade, pois distorce a verdade. 

Decerto, os versículos, selecionados, estariam concordando com os argumentos do rapaz, que os enviou, se ele estivesse defendendo que há nestes textos o princípio da contribuição voluntária. Mas, afirmar que há, nestas passagens, mandamento para dizimar, que nelas provam a permanência do dízimo, é forçar o texto e direciona-los para um entendimento errado; é adulterar a palavra em proveito próprio. Quando, quem quer que seja, se apropria de algum texto sagrado afirmando ou acrescentando algo que o texto não diz tal pessoa está mentindo; logo, o tal não anda segundo a verdade, uma vez que “nenhuma mentira vem da verdade” (1 Jo 2: 21; Pv 30: 5,6).

Dito isto, vamos à análise dos versículos enviados:
Lucas 8:1-3   

“E aconteceu, depois disto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e os doze iam com ele, E algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens”

Se seu opositor estivesse lido os versículos com a atenção de quem estar comprometido com verdade perceberia que assim estar escrito: “SERVIAM O COM SEUS BENS”.  Veja, a escritura NÃO DIZ COM SEUS DÍZIMOS e sim, com seus bens.  Mas, o rapaz, por má fé ou equivoco, não se atentou a esta detalhe. E, mais, não percebeu, que em nenhum lugar nos evangelhos (no tocante ao ministério terreno do Senhor), há relatos dele recebendo ou pagando dízimo.

Jesus nasceu sob a lei; cumpriu a lei, mas, não o encontramos pagando, recebendo ou exigido, (pra se), dízimo de ninguém. Acredito que Jesus, em seu ministério terreno, nunca recebeu dízimo pelo fato dele não ser da tribo de Levi; pois “só os filhos de Levi estavam ordenados, segundo a lei, a receber dízimo do povo”.

Se os pregadores e lideres religioso seguissem os exemplos de Jesus e de seus apóstolos não usurparia uma posição que não é deles. Muitos menos se apropriariam de forma seletiva e adulterada de preceitos da lei e de textos isolados das escrituras, distorcendo-os para surrupiar dinheiro dos incautos.

(I Coríntios 9: 4-15)

“Não temos nós direito de comer e beber? Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas? Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar? Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado? Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo? Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois? Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante. Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, e mais justamente, nós? Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo. Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória”.

Fico imaginando como alguém ousa afirmar que I Co 9: 4-15 é uma ordenança para dizimar. Onde é mencionado na leitura, deste texto, a palavra dízimo?. Falsificam e forçam o texto fazendo–o dizer o que não estar dito.
Leia todas as passagens onde fala do dízimo e perceberás que não há rodeio. Lá fala direto e sem nebulosidade. Explica com clareza do que se trata, do que era, quem deveria dar, quem deveria receber, onde levar, quando levar, qual o período para se fazer, quem usufruir; em fim, os textos onde trata do tema é muito claro. Tão claro que não deixa dúvidas quanto aos elementos e contexto que estava inserido este mandamento que, diga-se de passagem, foi dado para o povo de Israel e que fez parte do antigo sistema de culto. Culto este posto até a época da reforma.
Por que Paulo seria tão discreto para tratar do assunto? Evitando até mesmo mencionar o termo “dízimo”? A resposta é simples: Por que ele (Paulo) não se refere a dízimo. Aliás, nem Paulo e nenhum outro apóstolo transferiu tal mandamento para igreja.
 Evidentemente, em I coríntios 9 Paulo defende seu apostolado fazendo menção do direito a eles conferido.
Qual seria este direito? Receber dízimo, ou décima parte de alguma coisa? Não. 
O direito de ser socorrido pelos demais irmãos na tarefa da pregação do evangelho.
É quando ele faz referência a outras atividades frisando a similaridade do direito que cada um tem de comer do fruto do seu trabalho.  E completa...: “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho”.

Paulo não demanda que o vinhateiro, o vaqueiro, o militar ou os que anunciam evangelho devem receber dízimo. Não, - o que Paulo afirma é que quem atua deve atuar na esperança de ser amparado.
Além do que já foi posto, destacamos duas fala no discurso de Paulo onde, não apenas registra ele abrindo mão do direito reclamado, como podemos perceber que o apóstolo não se referia a dízimo.

 “Mas nós não usamos deste direito; antes suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo” (v 12)
“Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória” (v 15)

Ora, se Paulo falava concernente a dízimo, uma vez que a obrigatoriedade era um elemento presente na doutrina deste mandamento, por que iria, ele dispensar os irmãos de tal obrigação?
Quanto a afirmação “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (v 14)

Recorremos aos evangelhos onde vamos encontrar de qual forma se dar o “viver do evangelho...”; conforme ordenou o Senhor.

Lucas, capitulo dez relata Jesus enviando setenta discípulos a pregar o evangelho do reino.
“Depois disso o Senhor designou outros setenta e dois e os enviou dois a dois, adiante dele, a todas as cidades e lugares para onde ele estava prestes a ir. (Lucas 10:1); “Vão! Eu os estou enviando” (v 3) disse o Senhor.  E ordena a seguir: “Não levem bolsa nem saco de viagem nem sandálias;[....]” (v 4). E continua: “Fiquem naquela casa, e comam e bebam o que lhes derem, pois o trabalhador merece o seu salário. Não fiquem mudando de casa em casa. Quando entrarem numa cidade e forem bem recebidos, comam o que for posto diante de vocês” (v 7,8).
Reflexão:
Não deveriam levar saco de viagem nem bolsa. Evidentemente tais objetos serviriam para acumulo de donativos. Lembramos que em outras passagens Jesus havia ensinado que não se deve acumular riquezas.
Uma vez enviados, os discípulos, ao serem bem recebido em alguma casa ou cidade deveriam cobrar dízimo? Não;
Deveriam exigir dinheiro para o sustento, certa quantidade ou tipo de alimento?  Não; 
Deveriam comer e beber do que lhes fosse dado, do que fosse posto diante deles.                           
ISTO É VIVER DO EVANGELHO. - Não há salários ou certeza de ganhos, previamente, estabelecido; Não há exigência, obrigatoriedade nem coação; há, na verdade, confiança, na providência divina. VIVER DO EVANGELHO é viver pela fé e não na certeza do salário mensal ou do valor contratual previamente acertado. Se alguém, diz ser evangelista, pastor, mestre ou pregador mas, não tem esta fé; vá trabalhar. Por que com certeza não tem chamado para esta obra. E quantos aos que querem viver à custa dos outros, deveriam aprender a recomendação do apóstolo que diz:
Pois vocês mesmos sabem como devem seguir o nosso exemplo, porque não vivemos ociosamente quando estivemos entre vocês, nem comemos coisa alguma à custa de ninguém. Pelo contrário, trabalhamos arduamente e com fadiga, dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vocês, não por que não tivéssemos tal direito, mas para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês. Quando ainda estávamos com vocês, nós lhes ordenamos isto: se alguém não quiser trabalhar, também não coma. Pois ouvimos que alguns de vocês estão ociosos; não trabalham, mas andam se intrometendo na vida alheia. A TAIS PESSOAS ORDENAMOS E EXORTAMOS NO SENHOR JESUS CRISTO QUE TRABALHEM TRANQUILAMENTE E COMAM O SEU PRÓPRIO PÃO (Paulo, aos Tessalonicenses)
Outro texto que trata deste assunto (“viver do evangelho”) estar no evangelho segundo Mateus. La tá escrito:
“Jesus enviou estes doze com as seguintes instruções: Não se dirijam aos gentios, nem entrem em cidade alguma dos samaritanos. Antes, dirijam-se às ovelhas perdidas de Israel. Por onde forem, preguem esta mensagem: ‘O Reino dos céus está próximo’. Curem os enfermos, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos, expulsem os demônios. VOCÊS RECEBERAM DE GRAÇA; DEEM TAMBÉM DE GRAÇA. Não levem nem ouro, nem prata, nem cobre em seus cintos; não levem nenhum saco de viagem, nem túnica extra, nem sandálias, nem bordão; pois o trabalhador é digno do seu sustento. (Mateus 10:5-10)
Reflexão:
“Vocês receberam de graça deem também de graça”
Onde, nas passagens, acima, há, registro do Senhor mandando seus discípulos cobrarem dízimo do povo?
Qualquer que alega ser portador de algum don espiritual (pastor, mestre evangelista...) mas, cobra, faz contrato financeiro ou fixa salários para atuar não estar agindo de acordo o evangelho, de fato, estar mais para mercenário; este sim cobrar pelo serviço. Dons espiritual é algo que recebemos de graça e o Senhor nos ordena: “de graça recebeste de graça daí” 
 “Mas, se não haver uma cobrança, um acerto prévio do valor a receber do que sobreviverá o obreiro”? Que garantia terá?  Alguém perguntaria

Respondo: Se alguém, de fato, faz a obra do Senhor pode ter certeza que do Senhor virá a providencia. Se ele enviou ele garante.
"Então Jesus lhes perguntou: "Quando eu os enviei sem bolsa, saco de viagem ou sandálias, faltou-lhes alguma coisa? " "Nada", responderam eles. (Lucas 22:35)

Gt 6:6; Fl 4:14-19; I Tm 5:17-18. - Estes versículos, assim como as demais, já avaliada, não menciona dízimo, não fala de dízimo, não se refere a dízimo. Repito, todas falam sobre a partilha a favor dos que se empenha na obra do evangelho. Mas, em nenhum momento estipula espécie, quantidade, periodicidade e obrigatoriedade (elementos presente no mandamento do dízimo).

Aliás, Paulo poucas vezes se apropriou deste direito, ele mesmo várias vezes afirma isto:

"E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos;"  (I Co 4 : 12);

“Irmãos, certamente vocês se lembram do nosso trabalho esgotante e da nossa fadiga; trabalhamos noite e dia para não sermos pesados a ninguém, enquanto lhes pregávamos o evangelho de Deus” (1 Ts. 2:9);

"Nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós."  (II Tessalonicenses 3 : 8)

Como não se lembrar da passagem onde Paulo manda chamar os anciãos de Éfeso e lhes dar recomendações de como deveriam se portar diante do rebanho. Vejam, sobre o dar ou receber, o que disse apóstolo, àqueles anciãos: 

“Não cobicei a prata nem o ouro nem as roupas de ninguém. Vocês mesmos sabem que estas minhas mãos supriram minhas necessidades e as de meus companheiros. Em tudo o que fiz, mostrei-lhes que mediante trabalho árduo devemos ajudar os fracos, lembrando as palavras do próprio Senhor Jesus, que disse: ‘Há maior felicidade em dar do que em receber’ ".
Atos 20:33-35

É assim que os que se arvoram lideres, bem como suas crias, tem se comportado?

De certo, se tais homens tivessem o mesmo desprendimento de ganhos e compromisso com o evangelho, assim como foram os apóstolo do nosso Senhor, jamais adulteraria a palavra forçando textos isolados, inclusive, alegando ser o dízimo um mandamento para igreja.

Conclusão:

Afim de tornar mais perceptiva a diferença entre o dízimo (mandamento dado para a nação Israelita no A. T. claramente colocado) e a contribuição voluntaria orientada para igreja destacamos os diferentes elementos que compõem tais ordenanças.   

Dízimo:
Era obrigatório, de quantidade estipulada (décima parte), especificava o objeto a ser dizimado (semente do campo, fruto das arvores e cria do gado; e, apenas disto) tinha um calendário previamente estabelecido para devolução, um lugar de destino (depósito do templo em Jerusalém), só os levitas estavam autorizado recolher.  E em todo passagem onde se refere ao mandamento é mencionada a palavra dízimo, e de forma direta ou contextualizada fica evidente a referência e a limitação do mandamento a nação Israelita. 

Já a contribuição voluntaria neotestamentaria: É voluntaria (cada um contribui segundo propõem no coração); não estipular valor, porcentagem, parte do todo ou coisa do tipo; não especifica o objeto a ser doado (pode ser dinheiro, donativos alimento, roupas, hospedagem e etc)

Portanto o que há, como mandamento de partilha, para igreja é orientação no sentido da ajuda mutua entre irmãos, inclusive para com os que anuncia a evangelho?  

 No entanto, não podemos esquecer da prudência.

Ajuda é algo que vem de cima pra baixo, de quem tem para quem não tem e não o contrário.
Não podemos esquecer que vivemos entre lobos. E nestas circunstância orientou o Senhor:

“sede prudente como as serpentes”. 

E, em outra ocasiões ordenou: "Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas,...” (Mt 7:6)

Haja vista tais advertência da parte do Senhor, faz-se necessário agir com prudência em toda situação e circunstâncias. Do contrário você pode estar patrocinando o mal.

Quem são os defensores da permanência do dízimo se não obreiros fraudulentos que se propõe a truncar texto das escrituras, indo além do que estar escrito.
Seria digno de confiança, no evangelho, tais pessoas? Se mentem quanto ao dízimo no que mais mentem? Seria prudente patrocinar tais obreiros? Estaria, você, contribuindo com a pregação do evangelho ou com homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé?
Só o fato de alguém coagir outros para deles arrancar valores, já é motivo de sobra para desconfiamos dele.

Estejamos atentos. A mesma escritura que enfatiza a existência dos dons espirituais, de obreiros aprovados, de homens que se doam pela causa do evangelho, também, registra a existência dos lobos cruéis, falsificadores da palavra, falsos mestres, ministros de satanás, pastores que se apascentam a se mesmo; enfim, não se pode descartar a existência de tais obreiros (falsos e maus).

Assim sendo, devemos pedir sabedoria a Deus para agirmos com prudência contribuindo sempre com o bem e nunca com o mal. 

Sua pergunta:

Estes versículos (Lc 8: 1-3; I Co 9:4-15; Gt 6:6; Fl 4:14-19 e I Tm 5:17-18) comprovam que o dízimo é uma ordenança para a igreja?

NÃO. Não é isso que diz os textos, usar estas passagens ou quaisquer outra, endereçada à igreja, como ratificadora do dízimo é não pautar o discurso pela verdade e pela correta interpretação das escrituras. 

Lembremos que: "[....] nenhuma mentira vem da verdade."  (I João 2 : 21) 

Paz e graça,

Paulo Xavier

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