domingo, 12 de junho de 2016

Te enganaram

Você, evangélico ou católico, aprendeu que dez por cento do seu rendimento salarial deve ser entregue para instituição religiosa da qual você é membro. Convencido disto, você faz exatamente o que te ensinaram; Ao receber o salário separas 10% do todo, geralmente, coloca em um envelope (anteriormente entregue a você pela instituição), leva a importância ao templo da sua denominação e lá alguém, previamente, designada pela liderança da organização religiosa faz a coleta.
Fazes isto por achar que estas pagando/devolvendo o “Dízimo”; correto? Pois bem, se te pergunto:

Baseado em que você paga dízimo? Sua resposta será paralela a de tantos outros, ou seja, “por que tá na Bíblia”.



Você alguma vez já se perguntou: será que esta prática, ou melhor, este dízimo tá na Bíblia? Quando a bíblia se refere ao dízimo estaria, de fato, se referindo 10% do dinheiro que recebemos como salário?

Vamos ler o que a Bíblia diz?

"Também todos os dízimos da terra, quer dos cereais, quer do fruto das árvores, pertencem ao senhor; santos são ao Senhor. [....] Quanto a todo dízimo do gado e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, ESSE DÍZIMO SERÁ SANTO AO SENHOR. Levítico 27:30,32

Não vi menção a dinheiro; você viu?

Há!, Mas, deve haver outras passagens que menciona o dinheiro.
Talvez esta seja sua contestação.

Sabes? Tem não. Duvidas?

Então procure, ou melhor, pergunte a seu pastor, manda ele te mostrar. Se você achar ou teu líder mostrar alguma passagem, na bíblia, onde deixa claro que o dízimo (Exigido por Deus) era dinheiro, então pode rejeitar o que digo. Mas, se, ao contrario, nem você nem seu pastor encontrar nada, nenhum versículo onde diz que o dízimo era devolvido em espécie (dinheiro) então não deves continuar nesta prática, pois assim você estará mantendo, defendendo e propagando uma mentira.

Voltando ao texto base do nosso estudo, (Levítico 27:30,32) e aí ressaltamos que este texto é a primeira passagem na Bíblica onde o dízimo é mencionado como mandamento divino. Não antes, mas, a parti deste texto (da lei mosaica), o dízimo passou a ser uma obrigatoriedade para o povo de Israel e qualquer passagem posterior a esta que fala sobre o dízimo vai estar de acordo e se referindo ao preceito em sua origem, ou seja, a Levítico 27:30,32.
É inquestionável. O texto sagrado deixa claro que o dízimo pertencente ao Senhor era o dízimo dos cereais, do fruto das árvores, do gado e do rebanho (cria da vaca e ovelha).

Certamente que o povo de Israel possuía e negociava outros bens e produtos além dos citados. Como por exemplo: dinheiro, ouro, prata, cavalos, mulas, camelo, peixes e etc., mas, de nada disto Deus requeria a dízimo. Apenas e tão somente dos cereais, do fruto das árvores, do gado e do rebanho era retirada a décima parte.

No entanto, há quem afirma o seguinte:

“Deus apenas pediu os produtos da terra e da cria do gado por que não havia dinheiro naquele tempo”

Será mesmo?  Vamos ver:


“Depois chegou Jacó em paz à cidade de Siquém, que está na terra de Canaã, quando veio de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade. E comprou a parte do campo, em que estendera a sua tenda, dos filhos de Hamor, pai de Siquém, POR CEM PEÇAS DE DINHEIRO” Gênesis 33:18,19        
 "E tomai em vossas mãos DINHEIRO EM DOBRO, e o dinheiro que voltou na boca dos vossos sacos tornai a levar em vossas mãos; bem pode ser que fosse erro."  (Gênesis 43 : 12)

Tá ai duas passagens bíblica narrando relatos ocorridos antes da ordenança do dízimo, e, que menciona o dinheiro.  E estas não são as únicas, há tantas outras que deixa claro a existência  do dinheiro; logo é uma mentira ou, no mínimo, um equivoco dizer que não existia dinheiro, na época que foi dado o mandamento do dízimo.

Ciente disto, porém não conformados, há os que se utilizam do seguinte sofisma:

“os povos da época do antigo testamento não lindavam com dinheiro e tinha como salário produtos da terra, logo, Deus pediu o dízimo do fruto do trabalho daquela gente”

Engodo,..... não precisa muito esforço para refutação de tal Tese. Tamanha falácia trata-se, por tanto, de uma afirmação vaga e mentirosa de quem, por equivoco ou má fé, que sustentar não apenas uma doutrina errônea, mas, também seus vultosos salários.
Ninguém pode afirmar que aquele povo apenas negociava com os produtos da terra. Basta os textos de Gênesis  (já citado acima) para contraditar tal afirmação uma vez que tais passagens menciona transação feita com dinheiro.

Mas, se o caro leitor ainda não estiver convencido então veja o que diz este trecho da lei de Moisés:

"Se o boi de alguém ferir o boi do seu próximo, e morrer, então se venderá o boi vivo, e o dinheiro dele se repartirá igualmente, e também repartirão entre si o boi morto."  (Êxodo 21 : 35)

E ai, havia ou não dinheiro? Havia ou não transação com dinheiro? 

Além do mais o texto em Levítico não fundamenta a teoria dos que afirmam que Deus pediu o dízimo de qualquer bem ou valor que se adquiria como remuneração do trabalho.

E por que não?

Oras, por que lá tá claro do que se devia entregar o dízimo.

Caso a referência ali fosse de quaisquer bens ou valor adquirido com fruto do trabalho, então teria que estar escrito algo do tipo:

“Também todos os dízimos do fruto de seus trabalhos ou de qualquer coisa que vocês vir a adquirir, pertence ao senhor”,

Todavia, para desespero dos defensores do atual dízimo, não é assim que tá escrito ali; friso; no texto especifica de quais produtos se deveriam devolver a décima parte,
volte lá e dá uma conferida. Levítico 27:30,32.

Ah, então qualquer cristão que seja um produtor rural deve devolver o dízimo... Já que ele cultiva os produtos da terra, o fruto das arvores e possui gado.

Não, não deve. Vejamos por que:

“são esses os mandamentos que o Senhor ordenou a Moisés, para os filhos de Israel, no monte Sinai” Levítico 27:34. 

A quem foi dado o mandamento?                                                                                                             Você é Israelita?

Concernente a este assunto poderíamos falar, ainda, sobre:
A posse do dízimo (Nm 18: 21; Dt 14: 29);
O lugar do deposito (Dt 12:11; Ml 3:10);
E a administração (Nem 10: 37; Hb 7: 5).

Mas, não vejo necessidade. Só a fato de não encontramos nenhuma parte das escrituras exigindo devolução de dízimo em dinheiro, como se fazem atualmente, já fica provado que a  vigente norma do dízimo trata de mandamentos de homens e não de Deus.


E Mateus 23? Ali Jesus fala sobre o dízimo!
Essa é objeção só pode ser de quem não ler as escrituras tendo o cuidado de separar os eventos colocando cada coisa em seu devido lugar, ou melhor, dizendo, é de quem não sabe manejar bem a palavra, conforme somos orientados (II Tm 2:15).

Em Mateus, 23: 23, Jesus faz referência ao dízimo da lei, conforme a lei, em plena vigência da lei e para quem estava debaixo da lei.

E quanto a doutrina dos apóstolos para a Igreja?  

Bem, você não encontra os apóstolos ensinando sobre dízimo e nem cobrando décima parte de nada. Até por que eles tinham consciência de que não eram levitas e nem vivia mais sob o antigo sistema de culto. Se assim procedessem, eles, não só estavam voltando à lei como também estavam usurpando uma posição que não era deles, já que segundo a lei só os levitas (dessedentes de Levi) podiam receber dízimos (Nm 18:26; Nem 10: 37; Hb 7: 5).


Para fins de esclarecimento lançamos mãos da história para mostrar a origem do dízimo cobrado pelas instituições religiosas.

Não sei se é do conhecimento do caro leitor (a), mas, podemos confirmar pela história que o “dízimo” cobrado pela grande maioria das igrejas (denominações) teve inicio no século IV logo após Constantino assumir o trono imperial.

Segundo os historiadores a igreja católica, para resolver questões financeiras, começou a cobrar o dízimo sob pena de excomunhão. No século VI, os concílios e sínodos da Igreja da França relembravam essa obrigação. Sendo confirmado oficialmente pelos concílios regionais de Tours (567) e Mácon (585). Mas foi somente a partir de Carlos Magno (785) que o dízimo passou a ser cobrado regularmente.

Com a reforma protestante (resultada do cisma entre Lutero e a igreja de Roma) passou a existir o cristão protestante, mas, nem mesmo a afamada reforma protestante (acorrida no século XVI ano 1517) aboliu a prática do dízimo; pelo contrário, foi exatamente entre os protestantes que esta prática ganhou mais força.

Diante dos fatos e ciente desta verdade ficam as seguintes perguntas:
uma vez que o dízimo atual não é um mandamento de Deus; a quem você estar obedecendo quando o devolve?
A quem você estar sendo fiel?
Não pode ser a Deus. Até por que um mandamento de Deus deve ser cumprido conforme ele ordenou. Não pode haver acréscimos nem modificações. Foi o próprio Deus quem assim ordenou. Em sua palavra ele diz:

“Nada acrescentem às palavras que eu lhes ordeno e delas nada retirem,.....” (Dt 4:2).

A cobrança e pagamento do dízimo, nos modus operandi da cristandade, observam as normas estabelecida na palavra de Deus?
Foi 10% do seu salario que Deus ordenou que fosse devolvido?

A menos que você seja um desatendo, sua reposta será não. E Isto prova que sua obediência é a homens e não a Deus.

É fato,......
O que tens observado todos estes anos não passa de mandamentos de homens.
Faz-me lembrar de uma passagem onde Jesus censura os escribas e fariseus por ensinarem e seguirem doutrinas de homens, inclusive ele os chama de hipócritas e vãos adoradores. (Mt 15).

Pode haver qualquer justificativa, na verdade pretexto, para se dá dízimo nas denominações, mas, ninguém pode afirmar, provando pelas escrituras, que esta é uma prática ordenada por Deus. Ninguém pode dizer com verdade que esta prática tá na bíblia, pois ali se trata de outra coisa.
Quando você dizima você se submete a doutrinas de homens. E, pior, qualquer que assim o faça, alegando se tratar de uma ordenança divina, esta a ajudar, a manter e propagar uma doutrina mentirosa.

“Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo. (Gl 1:10)

“Vocês foram comprados por alto preço; não se tornem escravos de homens” (1 Co 7: 23)


Nele que nos chamou à liberdade



Paulo Xavier.


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