Muitos podem achar desnecessários e tola a abordagem deste tema e ao continuar a leitura pode até mesmo achar herético o que aqui digo. E será assim porque, diferentemente dos irmãos bereianos
(At 17:11), boa parte dos cristãos aceitam tudo que é dito nos templos, como sendo das escrituras, acatando o que lhes são imposto como doutrina de Deus sem nada verificar.
(At 17:11), boa parte dos cristãos aceitam tudo que é dito nos templos, como sendo das escrituras, acatando o que lhes são imposto como doutrina de Deus sem nada verificar.
Não são poucos os cristãos que
vivem atormentados e sem paz de espírito pelo fato de ter cometido alguma coisa, que tenha como pecaminosa, e não contou a terceiros. Estes, como quem não
confiam apenas no perdão de Deus, pensam que só serão perdoados se contar à outros
o que cometeu.
Que devemos confessar nossos
pecados disto ninguém deve ter dúvida, a ordenança da palavra de Deus é muito
clara a este respeito. O problema estar na má interpretação do real significado
do vocábulo “CONFESSAR” e A QUEM CONFESSAR.
Quando a assunto é confessar
pecado, a divergência entre católicos e protestantes se limitam, apenas, ao
campo da rixa entre as partes. Sim, por que se por um lado os evangélicos
criticam os confessionários católicos por outro fazem o mesmo nos gabinetes
pastorais, ou seja, o lugar da confissão para o católico é no confessionário já
para o evangélico é no gabinete do pastor.
Fechado o canon (os 66 livros)
todos há de concordar, pelo menos os evangélicos, que uma pratica não pode ser
considerada correta e imposta como doutrina pelo fato de ser crido pela maioria ou por ser milenar sua
aplicação; e que se tratando de doutrina bíblica devemos recorrer às escrituras
e neste caso, em particular, por se trata da Igreja, recorrer às cartas
apostólicas e só ai teremos terreno seguro onde apoiar nossa fé. (At 2:42; Ef
2:20)
Dito isto reitero que o objetivo
desta matéria e responder a seguinte indagação:
“ao cometer algum pecado só serei
perdoado se contar, o que fiz, ao Padre, ao pastor e aos irmãos”?
Para responder esta pergunta
vamos, antes, ponderar, sobre o que de fato é “confessar”
Embora muitos acham
que confessar é “Fazer uma declaração; manifestar ou declarar-se” convenhamos
que, a luz das escrituras este verbo ganha o significado muito maior que simplesmente contar o que se fez ou faz.
Confessar
é também professar, afirmar uma convicção. Exemplo: “o crente em cristo
confessa que Jesus é o Senhor e Salvador”.
Ademais, pode-se afirmar que
confessar é aceitar como verdadeiro, real, é admitir algo.
Para o contexto do
que estamos tratando “confessar” é admitir que errou;; admitir a culpa;. Não é
apenas dizer o que fez ou faz e sim admitir ser pecador.
Mas, para quem temos que admitir?
Sem sobra de dúvida, àquele a quem apelamos o perdão.
Todos pecaram; diz a palavra de
Deus. Mas, contra quem o homem pecou?
Indiscutivelmente, contra Deus.
Logo devemos confessar a Deus; ao nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. Não foi
isto que fez o rei Davi? (Salmos 51) Não
é o que diz em Salmos 32:5?
"Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade
não encobri. Dizia eu: CONFESSAREI AO SENHOR as minhas transgressões; e tu
perdoaste a maldade do meu pecado. (Selá.)"
Alguém poderia dizer “mas Tiago
mandar confessar nossas culpas uns aos outros. Verdade. Porem, devemos analisar
a passagem para não tiramos conclusões erradas. Tiago 5 se refere a
relacionamento humano. O texto de Tiago
não estar dissociado do ensino de Jesus Cristo em Mateus 18, onde o ofendido
quem tem que procurar o ofensor. Nesse caso, alguém tem que saber de alguma ofensa.
O mesmo foi ensinado em Mateus 5. Neste caso é o ofensor, que sabe que deixou
alguém carregando “algo contra ele”, quem deve procurar essa pessoa ofendida,
ainda no caminho, a fim de que as consequências não venham sobre ele.
Em ambos os casos alguém ofendeu
e alguém se sentiu ofendido, logo se refere ao relacionamento humano. Daí ofendido e ofensor precisam se acertarem e
isto deve ser feito entre os dois; uma terceira pessoa (que não tem que ser
necessariamente um “pastor”) só entrará na questão se não houver acertos entre os
envolvidos.
Outra situação é quando alguém
comete algo que causa escândalo e isto torna publico ai sim precisa ser tratado,
mas neste caso por já ter tornado publico. E o tratamento que se dar não deve
ser posta como condição para o transgressor obter o perdão de Deus, e sim, para
manter a pureza da assembleia. Temos um exemplo clássico desta situação em I
Coríntios 5.
“....POR ELE É JUSTIFICADO TODO
AQUELE QUE CRÊ." (Atos 13 : 39).
A
obra de Cristo para remissão dos pecados foi realizada uma vez por todas; logo
quem crê já estar perdoado. Daí Paulo afirmar “PORTANTO, AGORA NENHUMA
CONDENAÇÃO HÁ PARA OS QUE ESTÃO EM CRISTO JESUS”. A confissão diária que
costumamos fazer ao Senhor é em razão de ainda estamos neste corpo de carne. Tal
confissão funciona como exercício mental para não carregamos uma consciência
culpada e como reconhecimento da nossa real possibilidade de pecar a todo e
qualquer instante. Assim nos humilhamos perante nosso salvador confiando em sua
graça e misericórdia que nos acompanha todos os dias desta vida. (I Jo 2:1)
Pelo espírito do evangelho
entendo o seguinte: Se teu irmão pecar
contra te vai até ele e acertar isto só entre vocês, se você é ofensor deve
procurara-lo. Pecado de um irmão contra o outro deve ser acertado entre eles, pela via do amor, e se fizer necessário
envolver terceiros que seja o menor numero possível de pessoas. Já, se a outra
parte não foi ou não se sentiu ofendida e ou se o pecado foi contra Deus que se
acerte através da confissão a Deus por meio do Advogado Jesus Cristo, o justo.
No
entanto se em razão de uma carga doutrinaria de anos você se sentir incomodado; procure um irmão idôneo de sua confiança e converse com este; assim você terá
tranquilidade de consciência, contudo, tenho que lhe dizer que esta atitude tem
haver com uma escolha pessoal de alguém que carrega uma certa insegurança; e isto
não deve ser transformados em mandamento.
Pode, ainda, acontecer de alguém estiver cometendo algo que julga
pecaminoso e por se tratar de uma situação embaraçosa da qual você julgue
precisar da ajuda do irmão, procure uma pessoa idônea e espiritual o suficiente
para não lhe tacar pedra e jogar o a caso na rua. Mas, que movido pelo espírito
de mansidão, lhe ajude em oração e na palavra, isto, como condição para você
ser perdoado? Não. Para você ser liberto. (Gl 6:2)
Alguém pode dizer “isto é tudo
que quer ouvir um cristão cínico para se aprofundar, deliberadamente, no pecado
sem um peso de consciência”. Eu lhe diria o cínico vai se ver com Deus. Quem
disse que nosso trato com Deus é de brincadeira? Nenhum crente sério vai fazer
disto o pretexto para o pecado como, também, será sério o bastante para admitir
que diariamente pecamos quando não exteriormente o fazemos em pensamentos.
Se
houvesse fundamentação bíblica para a ordenança do “confessar”, conforme ensina
e aplica a religião, todos teriam de se colocar na fila do confessionário. O
problema era: quem estaria para ouvir as confissões? já que todos estariam se confessando.
Portanto Minha opinião é que quem consegue
deixar algo que é pecado para si mesmo sem envolver mais ninguém, melhor será! No
entanto se alguém pensa diferente que, como disse o apostolo, “cada um esteja
inteiramente seguro em sua própria mente”
Temos na palavra de Deus garantia
que nos deixam descansados e em paz, confiante na graça e misericórdia de nosso
Senhor Jesus Cristo. Só a Ele devemos confessar nossos pecados e ao irmão (os),
apenas, quando o pecado for contra ele ou este estiver envolvido na situação.
“Meus filhinhos, escrevo-lhes
estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um
intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos
nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o
mundo” (1 Jo 2:1,2)
"Portanto, irmãos, temos
plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, por um
novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo. Temos,
pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus. Sendo assim, aproximemo-nos de
Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações
aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos
corpos lavados com água pura. Apeguemo-nos com firmeza à esperança que
professamos, pois aquele que prometeu é fiel" (Hebreus 10:19-23)
Que a graça e paz de nosso Senhor
Jesus Cristo seja com todos.
Paulo Xavier


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