segunda-feira, 1 de junho de 2015

Confessar a quem?

"O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia."  (Provérbios 28 : 13)

Muitos podem achar desnecessários e tola a abordagem deste tema e ao continuar a leitura pode até mesmo achar herético o que aqui digo. E será assim porque, diferentemente dos irmãos bereianos
(At 17:11), boa parte dos cristãos aceitam tudo que é dito nos templos, como sendo das escrituras, acatando o que lhes são imposto como doutrina de Deus sem nada verificar.

Não são poucos os cristãos que vivem atormentados e sem paz de espírito pelo fato de ter cometido alguma coisa, que tenha como pecaminosa, e não contou a terceiros. Estes, como quem não confiam apenas no perdão de Deus, pensam que só serão perdoados se contar à outros o que cometeu.

Que devemos confessar nossos pecados disto ninguém deve ter dúvida, a ordenança da palavra de Deus é muito clara a este respeito. O problema estar na má interpretação do real significado do vocábulo “CONFESSAR” e A QUEM CONFESSAR.

Quando a assunto é confessar pecado, a divergência entre católicos e protestantes se limitam, apenas, ao campo da rixa entre as partes. Sim, por que se por um lado os evangélicos criticam os confessionários católicos por outro fazem o mesmo nos gabinetes pastorais, ou seja, o lugar da confissão para o católico é no confessionário já para o evangélico é no gabinete do pastor. 

Fechado o canon (os 66 livros) todos há de concordar, pelo menos os evangélicos, que uma pratica não pode ser considerada correta e imposta como doutrina pelo fato de ser crido pela maioria ou por ser milenar sua aplicação; e que se tratando de doutrina bíblica devemos recorrer às escrituras e neste caso, em particular, por se trata da Igreja, recorrer às cartas apostólicas e só ai teremos terreno seguro onde apoiar nossa fé. (At 2:42; Ef 2:20)

Dito isto reitero que o objetivo desta matéria e responder a seguinte indagação:

“ao cometer algum pecado só serei perdoado se contar, o que fiz, ao Padre, ao pastor e aos irmãos”?

Para responder esta pergunta vamos, antes, ponderar, sobre o que de fato é “confessar” 
Embora muitos acham que confessar é “Fazer uma declaração; manifestar ou declarar-se” convenhamos que, a luz das escrituras este verbo ganha o significado muito maior que  simplesmente contar o que se fez ou faz. 

Confessar é também professar, afirmar uma convicção. Exemplo: “o crente em cristo confessa que Jesus é o Senhor e Salvador”. 

Ademais, pode-se afirmar que confessar é aceitar como verdadeiro, real, é admitir algo. 

Para o contexto do que estamos tratando “confessar” é admitir que errou;; admitir a culpa;. Não é apenas dizer o que fez ou faz e sim admitir ser pecador.

Mas, para quem temos que admitir? 
Sem sobra de dúvida, àquele a quem apelamos o perdão.

Todos pecaram; diz a palavra de Deus. Mas, contra quem o homem pecou?

Indiscutivelmente, contra Deus. 
Logo devemos confessar a Deus; ao nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. Não foi isto que fez o rei Davi?  (Salmos 51) Não é o que diz em Salmos 32:5? 

"Confessei-te o meu pecado, e a minha maldade não encobri. Dizia eu: CONFESSAREI AO SENHOR as minhas transgressões; e tu perdoaste a maldade do meu pecado. (Selá.)" 

Alguém poderia dizer “mas Tiago mandar confessar nossas culpas uns aos outros. Verdade. Porem, devemos analisar a passagem para não tiramos conclusões erradas. Tiago 5 se refere a relacionamento humano.  O texto de Tiago não estar dissociado do ensino de Jesus Cristo em Mateus 18, onde o ofendido quem tem que procurar o ofensor. Nesse caso, alguém tem que saber de alguma ofensa. O mesmo foi ensinado em Mateus 5. Neste caso é o ofensor, que sabe que deixou alguém carregando “algo contra ele”, quem deve procurar essa pessoa ofendida, ainda no caminho, a fim de que as consequências não venham sobre ele.

Em ambos os casos alguém ofendeu e alguém se sentiu ofendido, logo se refere ao relacionamento humano. Daí  ofendido e ofensor precisam se acertarem e isto deve ser feito entre os dois; uma terceira pessoa (que não tem que ser necessariamente um “pastor”) só entrará na questão se não houver acertos entre os envolvidos.

Outra situação é quando alguém comete algo que causa escândalo e isto torna publico ai sim precisa ser tratado, mas neste caso por já ter tornado publico. E o tratamento que se dar não deve ser posta como condição para o transgressor obter o perdão de Deus, e sim, para manter a pureza da assembleia. Temos um exemplo clássico desta situação em I Coríntios 5.

“....POR ELE É JUSTIFICADO TODO AQUELE QUE CRÊ."  (Atos 13 : 39). 

A obra de Cristo para remissão dos pecados foi realizada uma vez por todas; logo quem crê já estar perdoado. Daí Paulo afirmar “PORTANTO, AGORA NENHUMA CONDENAÇÃO HÁ PARA OS QUE ESTÃO EM CRISTO JESUS”. A confissão diária que costumamos fazer ao Senhor é em razão de ainda estamos neste corpo de carne. Tal confissão funciona como exercício mental para não carregamos uma consciência culpada e como reconhecimento da nossa real possibilidade de pecar a todo e qualquer instante. Assim nos humilhamos perante nosso salvador confiando em sua graça e misericórdia que nos acompanha todos os dias desta vida.  (I Jo 2:1)

Pelo espírito do evangelho entendo o seguinte:  Se teu irmão pecar contra te vai até ele e acertar isto só entre vocês, se você é ofensor deve procurara-lo. Pecado de um irmão contra o outro deve ser acertado entre eles, pela via do amore se fizer necessário envolver terceiros que seja o menor numero possível de pessoas. Já, se a outra parte não foi ou não se sentiu ofendida e ou se o pecado foi contra Deus que se acerte através da confissão a Deus por meio do Advogado Jesus Cristo, o justo.

No entanto se em razão de uma carga doutrinaria de anos você se sentir incomodado; procure um irmão idôneo de sua confiança e converse com este; assim você terá tranquilidade de consciência, contudo, tenho que lhe dizer que esta atitude tem haver com uma escolha pessoal de alguém que carrega uma certa insegurança; e isto não deve ser transformados em mandamento.

Pode, ainda, acontecer de alguém estiver cometendo algo que julga pecaminoso e por se tratar de uma situação embaraçosa da qual você julgue precisar da ajuda do irmão, procure uma pessoa idônea e espiritual o suficiente para não lhe tacar pedra e jogar o a caso na rua. Mas, que movido pelo espírito de mansidão, lhe ajude em oração e na palavra, isto, como condição para você ser perdoado? Não. Para você ser liberto.  (Gl 6:2)

Alguém pode dizer “isto é tudo que quer ouvir um cristão cínico para se aprofundar, deliberadamente, no pecado sem um peso de consciência”. Eu lhe diria o cínico vai se ver com Deus. Quem disse que nosso trato com Deus é de brincadeira? Nenhum crente sério vai fazer disto o pretexto para o pecado como, também, será sério o bastante para admitir que diariamente pecamos quando não exteriormente o fazemos em pensamentos. 

Se houvesse fundamentação bíblica para a ordenança do “confessar”, conforme ensina e aplica a religião, todos teriam de se colocar na fila do confessionário. O problema era: quem estaria para ouvir as confissões? já que todos estariam se confessando.

Portanto Minha opinião é que quem consegue deixar algo que é pecado para si mesmo sem envolver mais ninguém, melhor será!  No entanto se alguém pensa diferente que, como disse o apostolo, “cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente”

Temos na palavra de Deus garantia que nos deixam descansados e em paz, confiante na graça e misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. Só a Ele devemos confessar nossos pecados e ao irmão (os), apenas, quando o pecado for contra ele ou este estiver envolvido na situação.

“Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados de todo o mundo” (1 Jo 2:1,2)

"Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, por um novo e vivo caminho que ele nos abriu por meio do véu, isto é, do seu corpo. Temos, pois, um grande sacerdote sobre a casa de Deus. Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada e tendo os nossos corpos lavados com água pura. Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel" (Hebreus 10:19-23)

Que a graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos.


Paulo Xavier

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